O mundo teve uma crise de riso no primeiro domingo de maio, data em que milhares de pessoas celebram anualmente o Dia Mundial da Gargalhada. A comemoração teve início em 1998, na Índia, quando o médico Madan Kataria reuniu 12 mil pessoas em um parque de Mumbai com o objetivo de cair na risada. O mestre havia fundado o primeiro Clube da Gargalhada, três anos antes, para difundir uma técnica criada por ele: a Hasya Yoga, ou “Yoga da Gargalhada”, que combina respiração, movimentos repetitivos, alongamento e palmas a fim de aliviar o estresse e promover o bem-estar de seus praticantes.
Desde então, o sucesso da iniciativa foi tamanho que Kataria passou a ser conhecido como o “guru do riso”. Hoje, mais de seis mil clubes do tipo estão espalhados mundo afora. No Brasil, o primeiro foi fundado em Belo Horizonte, em 2004, pela doutora Úrsula Kirchner e a professora Mari Tereza Vieira. “O instituto mostra a importância do ato e ensina como rir com frequência, por meio da interação entre pessoas, alegria e relaxamento”, diz Úrsula.
O bem-estar trazido pela risada não é uma descoberta recente. O psicanalista austríaco Sigmund Freud (1856-1939), no trabalho A Graça e suas Relações com o Inconsciente, de 1916, já sinalizava que o riso podia, sim, melhorar a saúde mental e física. Na década de 1960, o médico americano Hunter Adams, aquele mesmo biografado no filme Patch Adams – O Amor É Contagioso (1998), com o ator Robin Williams, fazia seus pacientes rirem e assegurava que o método auxiliava na recuperação. Inspirado nele, os Doutores da Alegria levam suas palhaçadas para pacientes de várias idades em território nacional.
Hoje o assunto continua a ser amplamente debatido. Uma pesquisa da Universidade de Medicina de Maryland, nos Estados Unidos, descobriu que 95% dos voluntários tiveram aumento da circulação sanguínea enquanto assistiam à comédia Quem Vai Ficar com Mary? (1998), do diretor Bobby Farrelly. Já 74% deles sofreram o oposto assistindo a O Resgate do Soldado Ryan (1998), de Steven Spielberg. Resultado: a conexão entre a risada e a saúde cardiovascular é intrínseca. No Brasil, o médico Eduardo Lambert, autor do livro Terapia do Riso – A Cura pela Alegria (Editora Pensamen- to), também já explorou bem o assunto.
HOMENS E MULHERES
Uma pesquisa recente da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com mais de 500 pessoas, conduzida pela antropóloga Miriam Goldenberg, revela dados curiosos: 84% dos homens riem muito, enquanto 60% das mulheres gostariam de rir mais. Outra novidade é que eles preferem se divertir mais com os amigos do que com as parceiras. Já as mulheres seguram mais a gargalhada. “No fundo elas gostam de passar uma imagem mais séria, de equilíbrio, confiança e maturidade”, ressalta Miriam. Claro que não dá para concluir que o homem tem mais senso de humor que a mulher. Porém, uma coisa é certa. Rir é um santo remédio e não se levar tão a sério também.
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